O Diabo Veste Prada 2 chega ao Disney+ em 29 de julho com música inédita de Lady Gaga

O Diabo Veste Prada 2 (Divulgação/20th Century Studios)
O Diabo Veste Prada 2 (Divulgação/20th Century Studios)
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Quem perdeu nos cinemas tem data marcada. O Diabo Veste Prada 2 entra no catálogo do Disney+ em 29 de julho de 2026, quase três meses depois da estreia nas salas, que aconteceu em 1º de maio.

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E chega com um currículo que ninguém previa. A sequência arrecadou US$ 666,1 milhões no mundo inteiro, sobre um orçamento de US$ 100 milhões, e terminou como o quarto filme de maior bilheteria de 2026. Em reais, pela cotação de R$ 5,08 desta quarta, são cerca de R$ 3,38 bilhões arrecadados sobre R$ 508 milhões investidos.

Para dimensionar: o primeiro filme, de 2006, encerrou a carreira com US$ 326 milhões globais. A sequência dobrou isso e levou a franquia inteira para além da marca de US$ 1 bilhão.

Uma abertura que ninguém esperava

O fim de semana de estreia já tinha dado o recado. Foram US$ 77 milhões na América do Norte e US$ 156,6 milhões no resto do mundo, somando US$ 233,6 milhões globais em três dias.

Isso rendeu a segunda maior estreia mundial de 2026, atrás apenas de O Filme de Super Mario Galaxy e à frente de Michael, a cinebiografia do Michael Jackson.

Comédia dramática adulta, sem super-herói, sem efeito visual e sem franquia de brinquedo, abrindo em segundo lugar no ano inteiro. Não é o tipo de manchete que Hollywood está acostumada a escrever em 2026, e vale prestar atenção nela.

O quarteto original voltou inteiro

A sequência traz de volta os quatro nomes que sustentaram o primeiro filme: Meryl Streep como Miranda Priestly, Anne Hathaway como Andy Sachs, Emily Blunt como Emily e Stanley Tucci como Nigel.

Reunir elenco original vinte anos depois é mais difícil do que parece. Basta olhar para quantas sequências tardias saíram com metade do time original substituído, o que quase sempre esvazia o motivo de a sequência existir.

Aqui ninguém faltou, e isso é boa parte da explicação para o resultado. O público não foi ver uma história, foi ver aquelas quatro pessoas de volta na mesma sala.

Vinte anos depois, a revista está quebrando

Sem entrar em detalhe de enredo, a premissa da sequência é a mais inteligente possível para o material. A revista de moda que servia de cenário no primeiro filme virou um negócio em colapso, esmagada pela mudança do mercado editorial.

É a atualização óbvia e necessária. O primeiro filme foi lançado em 2006, um ano antes do iPhone, quando revista impressa de moda ainda ditava tendência global. Fingir que nada mudou desde então seria a escolha covarde.

Colocar a Miranda Priestly num mundo em que o poder migrou para outro lugar transforma a personagem de vilã inalcançável em alguém com um problema real. É onde mora o drama.

O elenco novo é quase um segundo filme

A lista de reforços é longa e cara. Kenneth Branagh entra como marido da Miranda, o que já promete cena de jantar constrangedor. Também chegam Lucy Liu, Justin Theroux, B.J. Novak, Pauline Chalamet, Rachel Bloom e Patrick Brammall.

Pra quem não liga os nomes: B.J. Novak é o Ryan de The Office e também escreveu boa parte da série, além de ter dirigido Vingança. Rachel Bloom criou e estrelou Crazy Ex-Girlfriend, e ganhou o Globo de Ouro por isso. Pauline Chalamet é irmã do Timothée e protagonizou The Sex Lives of College Girls.

Kenneth Branagh, por sua vez, é ator e diretor com cinco indicações ao Oscar em categorias diferentes, algo que só um punhado de pessoas na história conseguiu. Colocá-lo como contraponto da Meryl Streep é uma escalação de peso pesado contra peso pesado.

A Lady Gaga entra cantando

O detalhe que mais movimentou a internet foi musical. Lady Gaga aparece no filme e assina uma canção original chamada Runway, gravada com Doechii.

Juntar as duas numa faixa feita sob medida para um filme de moda é o tipo de jogada que rende vida própria fora do cinema, em playlist, em rede social e em premiação de música no fim do ano.

Não é a primeira vez que a Gaga usa cinema como plataforma. Nasce uma Estrela, em 2018, transformou Shallow num fenômeno que durou muito mais tempo que o próprio filme e rendeu o Oscar de canção original. Aqui a escala é menor, mas o raciocínio é idêntico.

O corte que ninguém vai ver

Nem tudo que foi filmado sobreviveu à montagem. A participação de Sydney Sweeney foi cortada do filme.

Cameo removido em pós-produção quase sempre significa uma de duas coisas: a cena não funcionava no ritmo, ou o personagem foi realocado para uma continuação. Nenhuma das duas é escândalo.

E é uma decisão defensável. O primeiro filme funciona porque tem foco absoluto em quatro personagens e nenhum minuto desperdiçado. Encher a sequência de rostos famosos é o caminho mais rápido para diluir exatamente o que fazia a história funcionar. Um estúdio que corta um nome grande em nome do ritmo está fazendo a escolha certa.

A crítica foi morna, o público não

As resenhas ficaram divididas, com boa parte da imprensa apontando que a sequência repete estrutura e apoia demais na memória afetiva do primeiro filme.

O público discordou com folga. O filme registrou 87% de aprovação entre espectadores verificados no Rotten Tomatoes, 4,5 de 5 no PostTrak e nota A- no CinemaScore.

E tem um dado que explica o resto: 76% do público de estreia era formado por mulheres. Isso não é detalhe demográfico, é o motivo do sucesso. Hollywood passou duas décadas insistindo que filme adulto voltado para plateia feminina não sustenta bilheteria grande, e vem levando desmentido atrás de desmentido desde Barbie.

Cem milhões é pouco para esse tamanho

O orçamento de US$ 100 milhões merece destaque, porque é ele que transforma um bom resultado em resultado excepcional.

Um filme de super-herói médio hoje custa entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões e precisa de bilheteria monstruosa só para empatar. Uma comédia dramática com elenco de prestígio custa um terço disso e vira lucro puro depois do primeiro fim de semana.

Fazer US$ 666 milhões sobre US$ 100 milhões é uma margem que quase nenhum blockbuster de escala consegue. É a matemática que faz executivo de estúdio repensar onde colocar dinheiro no ano seguinte.

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A campanha começou no Grammy

A divulgação foi longa e bem calibrada. O teaser saiu em 31 de janeiro, durante a transmissão do Grammy 2026, e o trailer final chegou em 6 de abril.

Colocar o primeiro material numa premiação de música, e não numa de cinema, foi coerente com o peso que a trilha ganhou no projeto e com o público que o estúdio queria atingir.

Também foi eficiente em termos de custo. O Grammy entrega dezenas de milhões de espectadores simultâneos com perfil exatamente alinhado ao filme, algo que campanha digital fragmentada não consegue comprar por preço equivalente.

Por que a janela para o streaming é curta

Quase três meses entre cinema e Disney+ é uma janela apertada para um filme desse porte. Alguns anos atrás, o padrão era de noventa dias no mínimo, e frequentemente mais.

Quando um estúdio encurta esse prazo em um filme lucrativo, geralmente é porque a bilheteria já capturou quase todo o público disposto a pagar ingresso, e o valor restante está em atrair assinante novo para a plataforma.

Na prática, é bom para quem está em casa. E indica que a Disney enxerga o título como isca de assinatura, não como algo a ser guardado.

O elenco que ficou famoso depois

Uma das coisas mais curiosas de revisitar o primeiro filme é perceber o tamanho que aquele elenco tinha em 2006 e o tamanho que ele tem hoje.

Emily Blunt era praticamente desconhecida do grande público quando fez a Emily original, e a personagem foi o papel que a colocou no mapa. Vinte anos depois, ela é indicada ao Oscar por Oppenheimer e protagonista da franquia Um Lugar Silencioso.

Anne Hathaway vinha de O Diário da Princesa e era vista como atriz juvenil. Depois disso veio o Oscar por Os Miseráveis, uma década de perseguição pública injusta na internet e uma reabilitação completa de imagem. Ver a personagem dela de volta carrega toda essa bagagem junto, e o filme sabe disso.

A moda funciona como personagem

O que separa O Diabo Veste Prada de outras comédias de ambiente corporativo é que o figurino não é enfeite, é argumento. Cada troca de roupa da Andy no primeiro filme conta um pedaço da transformação dela sem precisar de uma linha de diálogo.

Aquele monólogo da Miranda sobre a cor azul virou um dos textos mais citados do cinema dos anos 2000 justamente por explicar, em trinta segundos, como uma indústria que parece frívola determina o que chega ao armário de todo mundo.

Uma sequência que ignorasse esse aspecto seria só reencontro de personagens. Manter a moda no centro é o que justifica revisitar o material duas décadas depois, num momento em que a própria indústria mudou de lugar.

O recado para o mercado de cinema

Existe um contexto maior aqui que vai além do filme. Nos últimos anos, a bilheteria vinha sendo dominada quase exclusivamente por adaptação de quadrinho, animação e continuação de franquia de ação.

O sucesso desta sequência se soma a uma pequena lista de exceções recentes que mostram apetite real por filme adulto na sala de cinema, desde que exista evento em torno dele. E aqui o evento não foi efeito visual, foi o reencontro do elenco.

Vale a ressalva honesta: uma andorinha não faz verão, e sequência de propriedade conhecida é uma categoria bem mais segura que filme original. Ainda assim, é um sinal difícil de ignorar.

Ficha técnica

  • Elenco principal: Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci
  • Elenco de apoio: Kenneth Branagh, Lucy Liu, Justin Theroux, B.J. Novak, Pauline Chalamet, Rachel Bloom e Patrick Brammall
  • Estúdio: 20th Century Studios
  • Música original: Runway, com Lady Gaga e Doechii
  • Orçamento de produção: US$ 100 milhões
  • Bilheteria mundial: US$ 666,1 milhões
  • Abertura mundial: US$ 233,6 milhões
  • Nota do público: A- no CinemaScore e 87% no Rotten Tomatoes
  • Estreia nos cinemas: 1º de maio de 2026
  • Estreia no Disney+: 29 de julho de 2026

Vale a assinatura?

Se você já tem Disney+, é entrada garantida na fila e não tem discussão. Se não tem, dá para esperar: o mês seguinte costuma trazer mais coisa, e assinar por um filme só raramente compensa quando o serviço custa uma mensalidade fixa.

Conselho prático: reveja o primeiro filme antes. Ele tem menos de duas horas, está no mesmo catálogo e a sequência conversa diretamente com cenas específicas dele. A experiência muda bastante se você chegar com a memória fresca.

O que esse resultado ensina

A aposta pessoal: este filme vai ser citado em reunião de estúdio pelos próximos dois anos como argumento para aprovar comédia adulta de orçamento médio. E vai ser citado corretamente.

O mercado passou uma década concluindo que só existe espaço para filme gigante ou para filme minúsculo, com um vazio no meio. O Diabo Veste Prada 2 é a prova de que o vazio no meio é onde estava o dinheiro esquecido, desde que exista elenco que o público queira ver e um motivo real para a história continuar.

O Diabo Veste Prada 2 chega ao Disney+ em 29 de julho de 2026. Você achou que a sequência precisava existir, ou o primeiro filme já estava perfeito do jeito que era? Comenta aí embaixo.

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