Akira volta aos cinemas brasileiros em 4K depois de 35 anos

Akira (Divulgação/Sato Company)
Akira (Divulgação/Sato Company)
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Atualizado em 01/08/2026
3 min de leitura

Akira volta aos cinemas brasileiros em 27 de agosto, em versão restaurada em 4K. A distribuição é da Sato Company, com sessões dubladas e legendadas, e marca 35 anos desde que o filme chegou ao Brasil.

Antes disso, há uma pré-exibição comemorativa em 9 de agosto, no Sato Cinema, no bairro da Liberdade, em São Paulo. É a primeira vez em décadas que o clássico de Katsuhiro Otomo volta a ocupar sala grande por aqui.

O filme que abriu a porta

Pra quem não conhece o tamanho de Akira: lançado em 1988, foi ele que convenceu o Ocidente de que animação japonesa não era desenho infantil. Antes dele, anime chegava ao Brasil dublado e cortado na TV aberta. Depois dele, virou objeto de culto em locadora e em festival.

A Neo-Tóquio que virou referência

A cidade de Akira, com seus prédios de neon e motos deslizando por avenidas molhadas, virou vocabulário visual obrigatório. Dá pra ver o DNA dela em Matrix, em Looper, no visual de Stranger Things e em praticamente todo jogo cyberpunk feito desde então. A cena da derrapagem da moto do Kaneda é provavelmente o plano de animação mais copiado da história.

Vale contar a história por trás dessa distribuidora, porque ela é boa. Foi Nelson Sato, fundador da Sato Company, quem trouxe Akira ao Brasil em 1991, enfrentando resistência das redes de cinema, que não acreditavam em animação japonesa em sala. O filme ficou um ano em cartaz e levou cerca de 250 mil espectadores.

Trinta e cinco anos depois, é a mesma empresa que traz o filme restaurado de volta. Não é toda hora que um relançamento tem essa simetria.

O que a restauração muda

Muita coisa. Akira foi animado à mão, com mais de 160 mil desenhos, um número absurdo até para os padrões de hoje, e usou uma técnica de sincronia labial que praticamente nenhum anime da época bancava. Ver isso em 4K numa tela de cinema é uma experiência diferente de assistir ao arquivo comprimido que circula na internet há vinte anos.

Dublado ou legendado?

Conselho de bolso: se você nunca viu, vá de legendado. A trilha do Geinoh Yamashirogumi, com percussão e canto coral, é metade do filme, e ela conversa com a mixagem original de um jeito que nenhuma dublagem consegue reproduzir. Se você cresceu com a dublagem antiga, aí a nostalgia manda, e não tem problema nenhum nisso.

A ressalva honesta

Não vou fingir que Akira é um filme fácil. O roteiro comprime seis volumes de mangá em duas horas, e quem chega sem contexto costuma sair confuso do terço final, quando a história vira metafísica pura. Não é defeito de restauração, é escolha de 1988 que ficou.

Se isso te incomodar, o mangá completo está publicado no Brasil e resolve todas as lacunas. Mas ir ao cinema por causa do impacto visual e sonoro vale mesmo sem entender tudo, do mesmo jeito que 2001: Uma Odisseia no Espaço vale.

O remake que nunca sai

Existe uma versão americana de Akira em desenvolvimento desde 2002. Já passou pelas mãos de vários diretores, chegou a ter Taika Waititi anexado e data marcada pela Warner em 2021, e foi adiada indefinidamente. Vinte e quatro anos de tentativa sem um único metro de filme rodado.

Enquanto isso, o original de 1988 segue voltando ao cinema e lotando sessão. É o melhor argumento possível contra a ideia de que todo clássico precisa de refilmagem.

Ficha técnica

  • Direção: Katsuhiro Otomo
  • Ano original: 1988
  • Distribuição no Brasil: Sato Company
  • Formato: restauração em 4K, com sessões dubladas e legendadas
  • Pré-exibição: 9 de agosto, no Sato Cinema, na Liberdade, em São Paulo
  • Estreia nos cinemas: 27 de agosto de 2026

E você, vai ver Akira no cinema pela primeira vez ou é revisão? Me conta nos comentários se vai de dublado ou legendado.

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