O Fim da Rua chega aos cinemas brasileiros em 13 de agosto, com Anne Hathaway e Ewan McGregor vivendo um casal em crise que tem um problema um pouco maior que o casamento: uma tempestade joga a vizinhança inteira na era dos dinossauros.
Dirige David Robert Mitchell, o mesmo de Corrente do Mal, com produção de J.J. Abrams. O filme também terá sessões em IMAX.
A premissa que não faz sentido no papel
Ambientado nos anos 1980, o longa acompanha Denise e Greg tentando manter a rotina com dois filhos adolescentes enquanto o relacionamento desanda. Aí o bairro inteiro é transportado no tempo, e o problema doméstico vira problema de sobrevivência.
É o tipo de sinopse que soa como duas ideias coladas com fita, e que só funciona se a execução souber onde está pisando. A boa notícia é que o diretor tem histórico exatamente nisso.
Quem é David Robert Mitchell
Pra quem não conhece, Mitchell dirigiu Corrente do Mal, de 2014, o terror em que uma maldição é transmitida por sexo e persegue a vítima caminhando devagar. Parece bobo descrito assim, e é um dos melhores filmes de terror da década. Depois ele fez Sob a Pele de Los Angeles, que dividiu geral.
O padrão do cara é esse: premissa esquisita levada a sério, com atenção obsessiva a atmosfera. É a pessoa certa pra transformar dinossauro no subúrbio em algo que não vira piada.
Mitchell já avisou de onde vem a referência, e não é bem a que você imagina:
“Eu simplesmente adoro o primeiro Jurassic Park.”
Mesmo assim, ele descreve o próprio filme como algo mais próximo de Além da Imaginação e da ficção científica dos anos 1970 e 1980 do que do modelo do Spielberg. É bom sinal, porque filme de dinossauro correndo atrás de gente já existe de sobra.
A dupla no centro
Anne Hathaway vem de uma sequência boa de escolhas fora do óbvio, incluindo Mother Mary, o drama da A24 que chega à HBO Max em 21 de agosto. Ewan McGregor, além de Obi-Wan, é o protagonista de Trainspotting e da minissérie Halston. São dois atores que sabem segurar cena de drama doméstico, que é a metade do filme que ninguém está comentando.
A sombra do J.J. Abrams
Aqui vai a crítica específica. J.J. Abrams é ótimo em montar mistério e historicamente ruim em pagar a conta dele. Lost é o exemplo eterno, e Star Wars: A Ascensão Skywalker mostrou o que acontece quando ele precisa fechar uma história que não construiu sozinho. Filme com premissa de caixa-mistério vive ou morre no terceiro ato.
A diferença aqui é que ele produz, não dirige. Quem escreve é Matthew Robinson e quem manda na câmera é Mitchell, e esse arranjo já deu certo antes: Cloverfield, de 2008, foi produzido por Abrams com direção de outra pessoa e envelheceu muito bem.
Vale o IMAX?
Conselho de bolso: se o filme entregar o que o trailer promete em escala, IMAX faz diferença, principalmente porque agosto tem pouca concorrência nessas salas depois que A Odisseia começar a sair de cartaz. Se você só quer conferir a história, sessão comum resolve e sai bem mais barato.
Um agosto bom pra ficção científica
Vale notar que o mês concentra três ficções científicas com apelo diferente: O Fim da Rua no cinema dia 13, A Última Casa com Wagner Moura e Greta Lee na Netflix dia 7, e a segunda temporada de Matéria Escura no Apple TV+ dia 28. Faz tempo que o gênero não tinha um mês assim no Brasil.
São três abordagens distintas do mesmo medo, o de perder o controle da própria casa e da própria família. Se você gosta do gênero, dá pra fazer uma maratona temática sem sair de agosto.
Ficha técnica
- Direção: David Robert Mitchell
- Roteiro: Matthew Robinson
- Produção: J.J. Abrams, Hannah Minghella, Jon Cohen, Matt Jackson e Tommy Harper
- Elenco: Anne Hathaway, Ewan McGregor e Christian Convery
- Ambientação: anos 1980
- Estreia no Brasil: 13 de agosto de 2026
E você, encara uma ficção científica de subúrbio com dinossauro? Me conta nos comentários se a premissa te ganhou ou te assustou pelo motivo errado.





